sábado, 27 de outubro de 2007


ALASTRA-SE ESCÂNDALO DO LEITE ADULTERADO

A maioria já deve ter lido sobre as recentes falcatruas da indústria leiteira e a crônica que aqui reproduzo não é de nenhum técnico da Anvisa, ou cientista ou técnico em alimentação ou ligado à indústria leiteira, mas de um jornalista respeitável e conceituado, lido diariamente por milhares de pessoas, cujo trabalho é publicado em Zero Hora (RS), na penúltima página (um clássico!). Um cara em quem o povo confia... Dá-lhe, Paulo Sant'Ana!

Que tempos que nós vivemos: a cerveja e a cachaça são bebidas mais confiáveis do que o leite.
Nunca se ouviu dizer que misturam água oxigenada e soda cáustica na cerveja, na cachaça, no conhaque. Esses venenos só são adicionados no leite. Então viva a Lei Seca para o leite. Lei Seca para o leite em todos os horários e não só nos estabelecimentos comerciais à beira das estradas e nos postos de gasolina. Quando é que eu ia pensar que o leite é mais perigoso que as bebidas alcoólicas? Eu sugiro também barreiras policiais com bafômetros para quem bebe leite. *** Aí surgem notícias de que tanto a soda cáustica quanto a água oxigenada são adicionadas ao leite em pequena quantidade, daí por que não provocam diretamente problemas à saúde. Não é a opinião de vários especialistas que publiquei em minha coluna de anteontem, eles afirmam que essas substâncias tóxicas podem causar esofagite, gastrite, úlcera e até perfurações nos órgãos do aparelho digestivo. *** Mas se eu leio que nada pode ser acrescentado ao leite durante a industrialização, não importa que a soda cáustica cause ou não dano à saúde, e também o soro, o que importa é que nada pode ser acrescentado ao leite. Nada. Nem água. Além disso, como é que todos os consumidores brasileiros foram privados todo esse tempo da informação de que no leite são acrescentados soda cáustica, ácido cítrico, citrato de sódio, sal, açúcar e soro? Uma prova de que essas substâncias todas são nocivas à saúde é que nas caixas de leite não vem escrito que elas compõem o produto industrializado. Então isso é má intenção, é fraude, é crime contra a saúde pública e contra o consumidor. Por que ocultavam que punham tudo isso no leite? Por que os consumidores foram enganados, sendo-lhes ocultadas todas essas misturas no leite. Por quê? Evidentemente que eram ocultadas porque eram ilícitas. Isto está cheirando a uma grande bandalheira. E ontem apareceu leite gaúcho nesta bandalheira. *** E se podem acrescentar qualquer porcaria no leite sem avisar isso aos consumidores no invólucro, então quem me garantiria que no pão que como não tem arsênico e na massa de tomate não tem estricnina? Isso é uma bandalheira, repito. O consumidor tem de saber, por escrito, os componentes de qualquer produto. No rótulo têm de estar escritos. Essas cooperativas foram pilhadas em um grande escândalo.

ZH de sábado, 27/10/2007

Na verdade, não é só o rótulo do leite que não tem as informações necessárias, a maioria dos produtos não tem, p. ex., as verduras, legumes e frutas têm indicação do agrotóxico que entrou na sua composição ao serem pulverizados e qual a concentração? e os alimentos transgênicos que ainda não apresentam rótulo indicativo da percentagem de transgenia apesar da lei de rotulagem já ter sido aprovada? O CASO DO LEITE É SÓ A PONTA DO ICEBERG...

Coluna escrita por ele em 25/10/07 (relacionada ao tema)

Veneno no leite

A notícia é simplesmente aterradora: a Cooperativa Coopervale, no Triângulo Mineiro, adicionava ao leite longa vida (em caixinha) uma mistura de soda cáustica, água oxigenada, ácido cítrico, citrato de sódio, sal e açúcar
A finalidade desse verdadeiro coquetel tóxico adicionado ao leite longa vida era a de aumentar-lhe o prazo de validade. O mais preocupante: o delegado da Polícia Federal que desmascarou a mistura tóxica no leite, Ricardo Luiz da Silva, declarou o seguinte: "(A cooperativa) pode ter passado para outras cooperativas do país, por isso é necessário analisar amostras de todas as marcas. Recebemos denúncias de vários Estados". As investigações vinham se sucedendo há vários meses, o que quer dizer que a população mineira (e talvez de outros Estados, segundo o delegado) vinha sendo envenenada há muito tempo. Calculem que a soda cáustica e a água oxigenada, além das outras drogas adicionadas ao leite, podem causar esofagite, gastrite por inflamação das mucosas do esôfago e do estômago, danificação da membrana das células do estômago, causando úlcera e erosão, danificação da mucosa intestinal, causando até perfuraçõe Isto é filme de terror. Todo esse coquetel explosivo contido no leite que a gente compra no supermercado. Isto é uma barbaridade. Como é que um químico - ou vários químicos - , com diploma de curso superior, pode perpetrar assim um tal crime contra a saúde pública e a vida? Adicionar soda cáustica e água oxigenada no leite? E eu inocentemente bebendo leite na convicção de que ele viesse só da vaca! Leio que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) está recomendando que os consumidores fiquem atentos a mudanças na textura, no sabor e no odor do leite Eu informo que, a cada vez que mudo de marca de leite longa vida em caixas, noto mudanças na textura, no sabor e no odor do leite. Mas eu penso que é uma mudança normal, pois mudei de marca. Quero acrescentar ainda que, mesmo quando não mudo de marca, noto mudança na textura, no sabor e no odor do leite. Mas como é que eu, ignorante total sobre técnicas de leite industrializado, vou saber se tem soda cáustica ou água oxigenada no leite que vou beber? Como é que vou saber? E ainda mais confuso fiquei quando li o conselho dado pela titular da Gerência de Vigilância Sanitária de Alimentos do Estado de Minas Gerais, Cláudia Parma: "Os consumidores não devem ferver o leite na tentativa de diluir os compostos químicos. Ferver o leite só vai diminuir as vitaminas". Como é que é? Quer dizer então que, se eu adquirir um leite que presumivelmente contenha soda cáustica e água oxigenada, devo bebê-lo sem fervura, assim serei alimentado. Mas e os venenos? Acho que a gerente da Vigilância Sanitária mineira quis se referir a leite que não contenha soda cáustica e água oxigenada. Agora é que entendi por que, quando eu era criança, minha tia Manoelita mandava eu embeber qualquer ferimento na pele com leite, tinha água oxigenada. E ela, também, agora que me lembro, lavava a pia com leite, por causa da soda cáustica. Mesmo assim, ignorante que sou, não sabia que leite fervido não tem vitaminas. Bebo leite há 60 anos achando que é um poderoso alimento. E bebo com café, ambos fervidos. Eu sou um idiota. Mas é duro saber que canalhas e criminosos põem soda cáustica e água oxigenada no leite de populações inteiras, no leite para adultos e crianças. Isso provoca revolta e impotência. É demais.

sábado, 22 de setembro de 2007


Neste domingo, dia 23 de setembro, estréia a série HEROES na Record.

A história tem como protagonistas pessoas com poderes especiais, cujo DNA sofreu mutações e cujas vidas estão interligadas com uma missão coletiva.

Quem pode garantir que alguns mutantes já não estão entre nós?

Essa estréia possibilita aos telespectadores da tv aberta assistirem a uma série de qualidade antes só disponível para os endinheirados assinantes do cabo.

Heroes também tem como atrativo deslocamentos no espaço/tempo, o que faz com que o enredo sofra modificações radicais.

Os mais apressadinhos podem assistir à toda primeira temporada, encontrada nas locadoras, num box com 6 DVDs, incluindo extras.
Também nas lojas (139 reais), se você for um daqueles endinheirados...

sábado, 8 de setembro de 2007

Mais sobre os velhos...



O DRAMA DOS IDOSOS e-mail
Jorge Lage

Li num dos últimos Notícias de Chaves que os lares de idosos não deviam ter quartos individuais para, assim, poderem armazenar mais, dado haver muitos velhos à espera de vaga, um pouco por todo o lado. Do meu ponto de vista os que estão no outono da vida, e muito mais os que aguardam a morte na fragilidade do seu feixe de ossos, só em último recurso deviam recorrer aos lares, a que outros chamam de asilos ou depósitos de velhos.

Agora começo a perceber por que razão o Provedor da Misericórdia de Mirandela terá dito em público que o lar devia ser o último recurso. Achei de grande nobreza defender tal ideia por me parecer a mais acertada.
O que me parece é que um lar é um lar, como uma prisão é sempre uma prisão, por mais que se pintem. Sendo assim, tudo o que se faça para dar conforto aos que para lá são ‘empurrados’ nunca será de mais.
Há 40 anos só ouvia falar em asilos e eram muito poucos, era quase uma desonra, para gente de bem, deixar ir para lá os seus. Hoje pintaram-nos melhor e acrescentaram-lhes mais algum conforto mas não mudou a sua essência: despejar lá os velhos, à espera que eles morram.
Afinal porque é que há tanta gente encaminhada para os lares? Uns não têm família que possa cuidar deles, outros a família não os quer por perto e outros não podem cuidar dos seus. Acaso um filho poderá pagar tudo o que os pais fizeram por ele?
Recordo-me que amigos meus tinham a mãe viúva, que morava num recanto da aldeia e tinha por vizinha uma filha numa casa de frente, sem ninguém a seu cargo, porta com porta. A mãe não queria ir para o lar, os restantes filhos até estavam dispostos a pagar-lhe, para lhe dar uma tigela de sopa. Até era uma aldeia que tinha lá pessoas capazes de a apoiar (limpeza e fazer a comida) a troco de uma remuneração, mas a cultura dos novos depósitos de velhos a que chamam ‘lares’ falou mais alto.
Parece já não haver uma cultura/sentimento de família e os idosos quando deixam de trabalhar ou dão os primeiros sinais de senilidade são desalojados do seu ninho e atirados para os depósitos, mais ou menos confortáveis. Quem para lá vai, na sua maioria, sabe que vai ao encontro da morte.
Hoje, quando morrem, já não se vela o corpo dos idosos que partem e agora chegou a ideia ‘saloia’ às aldeias de fazer morgues em tudo o que é canto, quebrando uma tradição de solidariedade e de respeito pelo cadáver e pela memória de quem parte.
O que me parece, em muitos casos, se houvesse um maior apoio domiciliário a idosos, por parte do (des)governo central, muitos nunca entrariam nos lares e haveria, em muitas aldeias, quem quisesse prestar alguns cuidados a troco de uma remuneração. O problema maior é a insensibilidade do governo (ou dos políticos), que só dá apoios a quem vai para os depósitos de velhos. Desde que precisassem de cuidados, independentemente de quem os prestasse, devia ter direito a remuneração, nem que fosse menor que a dos lares. Afinal, não há amas para as crianças?
Depois, também há quem prefira pagar 300 contos num depósito dourado, que não deixa de ser depósito, em vez de dar 100 ou 120 a quem cuide do/a velhinho/a na sua residência.
Não quero com isto dizer que os lares não são necessários, bem pelo contrário (são um imenso bem), mas não deviam ser a regra, mas a excepção. Só em último recurso é que os idosos deviam ir para os lares. Devia ser encorajado, monetariamente, a permanência no seu meio familiar e social, socorrendo-se dos recursos locais.
O (des)governo e todos os que assim procedem estão a contribuir para uma sociedade mais desumanizada e injusta, desprovida de valores, para com aqueles que deram o melhor de si por nós. Mas, ironia das ironias, estamos a cavar o nosso destino que será ainda mais cruel que o dos idosos de hoje. É uma questão de anos e a maioria de nós será posta no depósito da morte para vivos-mortos.
Não se aflijam os que acham que os lares são poucos, porque dentro de uma década, vão surgir os primeiros indícios de que os lares irão sendo convertidos em alojamentos turísticos. Vai verificar-se um fenómeno como o da natalidade de hoje, só que mais retardado. Se o poder local e as IPSS fizessem pressão junto dos políticos no poder, estes seriam capazes de diversificar o apoio aos idosos, que devia ser mais de proximidade do que o actual apoio domiciliário pontual e oficial.

Publicado no Notícias de Chaves em 3/8/2007

Jorge Lage

Jorge, e aqueles que mandam os seus para esses depósitos pq não servem
mais aos seus propósitos? Ou ainda, pq querem apoderar-se de seus bens ou
economias, resultado de uma vida inteira de trabalho?
Se para esses, a justiça dos homens não fornece castigo, quero acreditar que
funcione a justiça divina, seja lá o que tal expressão signifique (independente do significado
que as religiões dão a ela...).
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quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Velhice é pecado?


Hoje fui visitar minha tia numa "clínica geriátrica" (?)
Ou, sejamos menos hipócritas, num depósito de velhos...
Ela vinha sendo cuidada por um casal de sobrinhos, que delapidaram seu patrimônio e a jogaram naquele lugar.
O resto da família, certo de que ela estava sendo protegida pelo casal de sangüessugas, levou um susto.
Estamos, meu pai e eu, agilizando uma tentativa de obter sua guarda e tentar salvar, pelo menos, a pensão que poderá levá-la para um lugar melhor.

Estou muito triste por tê-la visto sem sua constante dignidade e imponência, apenas uma velhinha balbuciante e confusa, com marcas roxas nos braços, vestida com roupas prosaicas e desalinhadas, sem poder levantar da cadeira e querendo fugir dali para ir trabalhar.
Tirei uma foto dela no celular, consegui fazê-la sorrir por um pequeno momento.
Minha tia tão querida, que me ensinou as primeiras notas musicais e a tocar piano, que fazia um bolo delicioso de miolo amarelinho, que tentou me ensinar a costurar... quero te salvar do desprezo, da insensibilidade,
da solidão.
Me perdoa se não pude evitar teu sofrimento.

Atualizando em 17/11/14: Contratamos advogado, abrimos um processo
e perdemos, mais uma vez a Justiça acredita em mentirosos. Mas pelo menos foram obrigados a levá-la para um lugar com melhores instalações, ia visitá-la todas as semana, quando ficava deprimida ao vê-la definhar aos poucos. Uma simples gripe a hospitalizou, e complicações posteriores acabaram por levá-la a morrer neste hospital, e só nos avisaram quando ela já estava morta...Nem consegui ir ao seu enterro, estava com tanta raiva das pessoas que a abandonaram que preferi orar por ela em outro lugar. Mas como acredito na existência do karma, "o que é deles está guardado".

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Há 30 anos...


A poluição do Pólo

Benéfica para a economia gaúcha, a instalação do 3° Polo Petroquímico está sendo vista como uma inevitável catástrofe ao meio ambiente.
Para o ecologista José Lutzenberger, o interesse por trás do Programa de Proteção Ambiental da Copesul para a área é outro: "O programa vai proteger o Pólo, não o meio ambiente".

ZH - 31/08/1977

Ah, Lutz, que saudade de você...












segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Após 86 tentativas...



Após 86 ocorrências policiais, Fernando Oliveira Pereira, 27 anos, finalmente conseguiu matar a mulher, Adriana de Souza Rodrigues, 28.

O crime ocorreu sábado à noite, no bairro Vila Ipê, em Caxias do Sul, quando o criminoso chegou em casa bêbado.

Segundo testemunhas, durante discussão com a esposa, ele pegou uma faca e golpeou a mulher nas costas e no pescoço.

O filho do casal, de 4 meses, estava no colo da mãe e caiu no chão, sofrendo ferimentos leves.

O agressor foi levado para o presídio de Caxias do Sul. UFA! ATÉ QUE ENFIM!!!!!!!!!

Fonte: Correio do Povo - 13-08-07

Notícia patética, não sei se choro ou acho graça...
Uma criatura faz 86 queixas para a polícia, declarando agressões contínuas e nada foi feito de concreto para barrar, segurar ou enjaular o agressor desvairado?
Só podia ter acabado em morte mesmo... mais uma morte anunciada...
Pobre da criança, fruto da famigerada união desses dois seres. Com 4 meses, a mãe morta e o pai, finalmente, enclausurado.
Uma história real e trágica, narrada num cantinho de jornal.
Não está na primeira página, está fora do manual.

domingo, 3 de junho de 2007

Pedro e o Lobo


Sou professora de música, entre outras atividades que exerço.
Adoro ensinar música para, principalmente, crianças pequenas, que ainda estão abertas para novos sons, não totalmente seduzidas pela arte comercial. Meus alunos escutam Mozart, Bach, Björk, música grega, cantigas de roda e mantras, por exemplo.
Além das aulas particulares e das que dou em escolas, uma vez por mês, participo com um grupo de voluntários de uma "maratona" de oficinas para colégios públicos, os mais carentes. São profissionais de várias áreas que disponibilizam seu tempo e conhecimento para, durante um dia, movimentar a rotina de uma instituição de ensino.
Minha oficina, é claro, é a de música.
Em maio passado, estivemos num dos morros localizados na periferia da cidade. Uma escola bem organizada e limpa: foi o que primeiro me chamou a atenção. Depois, quando conheci os professores e a direção, vi que o quadro de funcionários era composto por gente que amava o que fazia. Os alunos, resistentes ao aprendizado, mas não vou aqui questionar o porquê desse quadro, não é o foco do meu relato.
Quando iniciei a oficina, onde ensino a montar uma "marimba d'água", os maiores foram caindo fora, dizendo "isso é coisa de criança..." Os que ficaram, quiseram participar, construir os instrumentos de percussão, cantar, dançar, mas tudo dentro do contexto deles, isto é, muito funk, rap, letras que eles não compreendiam a metade mas sabiam de cor.
Deixei a eles o exercício livre da sua cultura musical, pelo menos na primeira hora.
Então, chegou o momento da troca.
"Agora, vou mostrar a vocês a música que eu gosto. Espero que vocês ouçam e apreciem da mesma maneira que me portei com relação à música que me mostraram".
Toquei um CD de Pedro e o Lobo, de Sergei Prokofiev, a maravilhosa aventura contada pelos instrumentos. Cada personagem é representado por um tema, tocado por algum instrumento da orquestra: Pedrinho, pelas cordas; Fred, o passarinho, pela flauta transversal; Nestor, o pato, pelo oboé; Misha, o gato, pelo clarinete; o avô, pelo fagote; o lobo, pelas trompas e os caçadores, pelos tímpanos. A narradora vai conduzindo o fio da história e a orquestra apresentando o movimento dos personagens.
A maioria dos instrumentos era desconhecida para eles. Ficaram curiosos, aproximando-se do aparelho de som, puxando as cadeiras, sentando no chão, procurando identificar cada sonoridade. O atrativo maior era saber pelo som do instrumento qual o personagem que se manifestava no enredo: um jogo novo, totalmente coordenado pelos ouvidos e pela atenção.
Um dos garotos que mais perturbara o andamento da aula há pouco, aproximou-se e sentou no meu colo.
Ia dizendo o nome dos personagens no meu ouvido, à medida que surgiam e antes de serem identificados pela narradora, acertando todos! Ele conseguira decorar o nome de todos os instrumentos e associá-los corretamente a cada personagem. Isso é bastante raro de acontecer, demonstrando além de ótima memória, uma enorme musicalidade, numa criança de 6 ou 7 anos, bagunceira, mal-educada e agressiva, sendo totalmente dominada e fascinada pela obra de um russo, do qual ele nem suspeitava a existência!
Isso me deixou feliz, emocionada e satisfeita com a vida, o mundo e todos os seus problemas...
Ficamos sentados juntos até o final da história e quando acabou, ele disse, orgulhoso: "acertei tudo, hein, tia?"
E saiu correndo, porta afora.