terça-feira, 16 de agosto de 2011

Blogagem coletiva "Pais na Escola"

Estou republicando esse post, escrito originalmente em 2008, para participar da blogagem coletiva criada pelo blog Futuro do Presente, da Ana Cláudia Bessa, cujo tema é "Pais na Escola".

Para quem também quiser participar, aí vai o link:

Pais na escola - blogagem coletiva
                                                                                           (1)
 Minha filha apanhou no recreio da escola.
 Por ela me transformei em Mãe Voluntária!
 Escrevi esse depoimento há dois anos atrás, quando minha filha entrou para a primeira série do Ensino Fundamental, em uma escola pública.
Espero que ele auxilie aos pais que também estão embarcando nesta viagem.


Ambas ansiosas, eu e minha filha de seis anos, Ísis, vimos o mês de março de 2006 chegar.
Uma nova fase iniciaria em nossas vidas, pois aproximava-se o momento em que ela iria cursar a primeira série numa escola pública.
Meus dois filhos mais velhos estudaram em escola particular e, pelo que recordo, meu envolvimento na rotina dessa instituição resumia-se às reuniões trimestrais, quando ia receber as avaliações das crianças. Escola, para mim, era um local essencialmente cuidado, dirigido e administrado por professores, funcionários e direção e o envolvimento dos pais acontecia nessas reuniões ou quando solicitavam cooperação para organizar festas.
Minha filha caçula é uma criança doce e comunicativa. Desde os três anos, participa de aulas de pintura, música, teatro e dança e gosta bastante de interagir com os colegas. Nessas oficinas, raramente acontecia alguma desavença entre as crianças, apenas aquelas tidas como "normais" em relacionamentos.
Não tinha uma idéia concreta de como era a rotina numa escola pública nos dias atuais.
Estava curiosa para saber.

Confusão no recreio

Primeiro dia de aula é emocionante.
Mochila recém-comprada, cheia de material escolar com cheirinho de novidade, a roupa escolhida na véspera com cuidado.
Medo, ansiedade, curiosidade misturados: como será a professora, os colegas serão novos amigos? Todo aluno em seu primeiro dia de aula fica com a cabecinha repleta de dúvidas e expectativas.
Durante o primeiro mês, Ísis teve os contatos iniciais com os colegas.
Ao chegar em casa, ela me relatava tudo que acontecia na sua manhã na escola e já tinha dito que as crianças de sua turma era muito briguentas e desobedientes, que a professora estava sempre gritando e reclamando, pedindo que se comportassem.
Ela se mantinha um tanto afastada, pois seu temperamento é tranqüilo e costuma obedecer quando solicitada.
O primeiro problema surgiu durante o recreio.
Numa certa manhã, quando fui buscá-la, me contou que apanhara de colegas de sua turma, levando vários pontapés. No pátio, pedira ajuda e não a encontrara. Fiquei espantada ao saber que uma criança apanha, pede socorro e não o recebe, num local onde deveria ser protegida.
Em casa, verifiquei suas pernas e realmente, haviam muitas manchas roxas.
Liguei para o pai dela (não vivemos juntos), relatando o acontecido, mas ele não podia ir à escola no dia seguinte. É claro que eu não deixaria de ir, mal consegui pegar no sono, de tanta pressa para reclamar sobre o caso.
Na outra manhã, fui nervosa falar com a professora.
Os alunos formavam filas na entrada da escola, aguardando o sinal do início das aulas. Assim que a professora chegou, abordei-a. Ela estava bastante chateada com o ocorrido, mas logo percebi que a turma era indisciplinada. Enquanto conversávamos, as crianças ficavam na fila chutando-se e empurrando-se.
Vendo que não resolveria nada ali, decidi procurar a direção, mas era necessário marcar um horário para ser recebida.Voltei para casa preocupada, imaginando se outro episódio de violência iria ocorrer no recreio.
Enquanto aguardava o encontro com a direção, Ísis apanhou novamente de um colega, sendo incomodada por ele dentro da sala de aula. O garoto empurrou sua mesa e ela caiu com a cadeira para trás, estatelando-se no chão. Quando me contou, fiquei fervendo de raiva. Não estava preparada para isso. Eduquei minha filha para ser pacífica, para não agredir e não imaginava que crianças pequenas pudessem ter tanta agressividade dentro de si.
Ia ter que mudar meus conceitos sobre convivência social.

Uma outra realidade

Novamente, mal pude conciliar o sono.
Na manhã seguinte, levantei da cama antes do despertador tocar. Chegando à escola, fui direto às filas e procurei o menino que a empurrara. Perguntei porque ele fizera aquilo e ele ficou evitando meu olhar, mudo. Insisti no diálogo, mas ele permaneceu totalmente calado.
Conversando novamente com a professora, notei que ela continuava aborrecida, mas estava longe de encontrar uma solução para os problemas de indisciplina da sua classe. O menino nem ao menos fora punido, apenas advertido. Eu tinha que tomar alguma atitude mais eficiente.
Antigamente, se você fizesse algo errado dentro da escola receberia algum castigo, poderia ser até expulso. Parece que hoje, os alunos são advertidos de uma forma muito benevolente. Talvez um reflexo do que acontece em outros níveis na sociedade, onde as pessoas cometem crimes e não recebem punição, continuam circulando livremente e repetindo suas safadezas.
Entrei na escola e fiquei andando pelos corredores, para criar uma intimidade que eu não tinha com ela. Então vi duas mulheres conversando, encostadas no corrimão da escada.
O que me chamou atenção nelas era que usavam um crachá onde se lia "mães voluntárias". Me aproximei, perguntando o que significava aquela expressão. Disseram que ajudavam a "cuidar do recreio". Fiquei interessada e contei o que tinha acontecido com a Ísis. Responderam que essa situação era comum, pois a escola possuía apenas uma monitora para atender um grande número de crianças durante o recreio.
Nesses 15 minutos diários, no pátio onde brincam as séries iniciais, participam 9 turmas, sendo que em média cada uma delas tem 20 crianças. Por alto, são quase 200 crianças! Para uma funcionária apenas! Então, pude entender porque a violência explodia nesses momentos.
As mães voluntárias são mães de alunos que, em vista dessa situação, buscavam colaborar com a escola. Mesmo assim, as dificuldades permaneciam, pois sendo em pequeno número, não conseguiam atender a todas as necessidades. Elas se reuniam no CPM (Círculo de Pais e Mestres), numa salinha perto de onde estávamos. Convidada a entrar, aceitei prontamente, pois estava em busca de uma solução urgente e prática.
Para mim, CPM simbolizava "festinha de pais", encontros alegres quando a escola comemorava alguma data. Estava enganada. Na salinha apertada, as mães reuniam-se em volta de uma mesa circular, algumas cadeiras e um computador. Explicaram como funcionava o sistema de auxílio ao recreio: todas as manhãs desciam ao pátio por 15 minutos e ajudavam a manter um mínimo de equilíbrio em toda aquela energia liberada pelas crianças, evitando brigas, protegendo os menores, afastando-os de possíveis quedas das árvores e muros, que teimavam em escalar. Levavam cordas e alguns jogos para os alunos brincarem, mas não podiam fazer nada mais, pois apesar de terem apresentado um projeto com brincadeiras à direção da escola, esta não o havia aprovado, mas também não oferecera nenhuma alternativa para distrair os alunos.

Com a mão na massa

No dia seguinte, comecei uma entusiasmada participação nos recreios diários.
Tornei-me uma das mães voluntárias, aumentando a carga das minhas já atarefadas manhãs. Minha filha sentiu-se segura ao ver minha presença no pátio e pediu para eu ir todos os dias. Logo, fiquei envolvida com as crianças e a tarefa de observá-las tornou-se uma rotina na minha vida. Não vigiava apenas a minha filha, mas os filhos de outras mães que não podiam ou não queriam ali estar.
Na verdade, esta não é uma "obrigação" dos pais, mas tendo em vista que o sistema educacional público está em declínio, por inúmeras causas (a econômica é apenas uma delas), os responsáveis pelas crianças têm que mudar sua maneira de enxergar a escola. Ela não é apenas um "depósito" onde se larga o aluno, esperando que a instituição eduque-o sozinha. Tem que haver participação da comunidade, interesse constante dos pais na situação de seus filhos quanto ao aproveitamento e crescimento como indivíduos e cidadãos.

Logo depois, tornei-me 1a. Secretária do CPM e entrei para o Conselho Escolar.
Minha ligação com a escola aprofundou-se. Certamente, muitos dirão que não têm tempo para serem tão atuantes (mas trabalho dentro e fora de casa, não tenho marido nem empregada doméstica para dividir tarefas), porém acredito que seja uma questão de estabelecer prioridades: considero a educação e a segurança da minha filha extremamente importantes!

O QUE É UM CPM

Segundo o artigo 12, inciso VI da Lei Federal nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996:
Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de:

VI - articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade com a escola;

É reconhecido um Círculo de Pais e Mestres em cada estabelecimento de ensino estadual e, entre suas atribuições, além do que diz a lei acima, estão:

- auxiliar os órgãos assistenciais e instituições existentes na escola em suas carências;
- colaborar na conservação e recuperação normal do prédio e equipamentos da escola;
- prestar serviços à escola em benefício dos alunos ou do processo educacional;
- representar os interesses dos associados perante as autoridades constituídas, buscando entre outras questões, a melhoria das condições físicas da escola, dos seus recursos humanos e técnico-pedagógicos;
- estimular a transformação da escola em centro de integração e desenvolvimento comunitário.

O Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE/FNDE/MEC) repassa anualmente recursos em dinheiro para escolas, através do CPM. Isto é, essa verba somente será recebida pela escola se a instituição tiver um CPM em atividade. Então, a associação realiza uma assembléia com a comunidade, onde serão escolhidas as prioridades para as quais esse dinheiro será destinado. É mais uma forma de ajudar a escola!

Legenda das fotos:

(1) Ísis e eu, com o crachá de Mãe Voluntária.

(2) No pátio, durante o recreio, as crianças e eu.

(3) Festa Disco, realizada pelo CPM no Dia dos Pais: da esq. p/a dir.: Berê (Pres.), Zilda (Vice), Rudha (aluno) e eu (1ª Secretária)

   (2)

















       (3)                                                              




sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A indústria farmacêutica e o uso de cobaias humanas


Cabeça de Turco é um livro fascinante, escrito pelo jornalista alemão Günter Wallraff, na década de 80, quando ele disfarçou-se de turco para viver na Alemanha e sentir na própria pele como era ser discriminado e tratado como escória - "foi necessário usar um disfarce para desmascarar a sociedade; foi necessário mentir e fingir para descobrir a verdade. Continuo, porém, sem saber como um imigrante consegue engolir as humilhações, as hostilidades e o ódio cotidianos. Mas agora sei o que ele tem de suportar e até onde pode chegar o desprezo humano neste país.. Reflexos do apartheid projetam-se aqui entre nós - em nossa democracia".

Ele foi obrigado a trabalhar nos piores empregos disponíveis, preferencialmente, para os turcos: faxineiro do McDonad's, limpando privadas, operário em siderúrgicas insalubres, engolindo pó, inalando fumaça e absorvendo metais pesados, serviços de limpeza e reparação nas áreas expostas à radiação numa usina nuclear e cobaia humana, testando medicamentos para a indústria farmacêutica!
Como na postagem anterior falei a respeito de testes de vacinas em seres humanos, que causam sequelas e até a morte, o livro veio automaticamente à minha cabeça, pois Günther narra sua experiência como cobaia detalhadamente e o quanto essa prática era procurada pelos necessitados economicamente. O desprezo por essas criaturas era tão grande que, grafitado num muro em Disburg/Wedau, lia-se: "Parem de usar animais como cobaias - usem os turcos!"

Recomendo que  leiam a obra -  uma excepcional aquisição de conhecimento verdadeiro. O livro vai muito além da questão dos experimentos químicos com seres humanos, mas é esse o enfoque da postagem, logo, reproduzo algumas passagens sobre a experiência de Günther como cobaia da indústria farmacêutica (em itálico é o texto dele, ipsis litteris):

Conta-me que requisitam muitos estrangeiros - turcos, indonésios, refugiados políticos sul-americanos, paquistaneses - para esse trabalho especial que consiste em servir de cobaia para a indústria farmacêutica. (...) Osman me dá o endereço do Instituo LAB em New Ulm. (...)
Enviam-me para um check-up de rotina. Colhem amostras de sangue, examinam a urina, fazem eletrocardiogramas, tiram minhas medidas, pesam-me. Um médico confere os resultados. (...) Sou aprovado. Estou pronto para o uso. Tomarei medicamentos em forma de pílulas e injeções que, com certeza, me transformarão numa pessoa doente. Obrigam-me a assinar uma declaração de que consinto em submeter-me aos testes. Entregam-me um boletim informativo de cinco páginas escrito em alemão: "Boletim informativo sobre os testes de estudo comparado farmacodinâmico de quatro preparados diferentes combinados com substâncias que contém fenobarbital e fenitoína. (...) Segundo o boletim informativo,"tais medicamentos não são para uma doença comum, mas para epilepsia e convulsões febris nas crianças".
Quase todos os cientistas que não dependem da indústria farmacêutica criticam com violência o uso de semelhantes preparados. A combinação de dois agentes impede uma dosagem adaptada às necessidades individuais dos pacientes. No entanto, médicos inescrupulosos mostram boa vontade para com esses preparados. Poderão ocupar-se menos com seus pacientes. A substância composta fenobarbital pertence à classe dos barbitúricos, drogas que logo criam dependência. Exatamente porque seu uso é perigoso, centenas de remédios contendo barbitúricos foram proibidos nos últimos anos. Trata-se, pois, de medicamentos bastante conhecidos que, na verdade, deveriam ser retirados de circulação. Mas ninguém explica por que ainda devem ser testados.


O teste era programado para onze semanas, os muitos efeitos colaterais informados e as cobaias não podiam deixar o local, pois as coletas de sangue eram feitas de hora em hora.
"Detenção voluntária". São vigiados para garantir que tomem os remédios."A primeira coisa que sinto é que meu campo visual se reduz. Tento olhar para o pátio, mas o sol me ofusca, dói-me a vista. Deito-me na cama, sonolento e apático. De hora em hora vou como um sonâmbulo para a coleta de sangue. Os outros também estão pálidos e abatidos. (...) No dia seguinte encontro-me num estado ainda mais lastimável. Esses testes são absurdos, pois já se conhecem todos os efeitos colaterais. Já os sentimos: vertigem violenta, fortes dores de cabeça e distúrbios de percepção, além de estupor permanente. A gengiva sangra muito.
Não contam nada aos funcionários, com medo de não ser aceitos em outros testes.
Depois do teste, todos os participantes ficaram meio "abobalhados". Alguns caíam sem conseguir ficar em pé e precisavam ser carregados. No entanto, no boletim informativo, onde lia-se "efeitos colaterais" havia uma cruz assinalando "não"...

Depois dessa "primeira série" - isto é, depois de 24 horas - decidi interromper o teste. Eu deveria ficar "aquartelado" ainda mais tres vezes nas onze semanas seguintes. Com os efeitos colaterais agravando-se. (...) Abandonando os testes antes do término, não recebo um centavo.
Para Eberhard Greiser, professor da Universidade de Bremen, "aproximadamente dois terços deses estudos farmacológicos são desnecessários. São estudos que têm propósitos comerciais e não há nenhuma relação entre sua utilização e as despesas que acarretam".
Existem "cobaias profissionais' que testam medicamentos para empresas diferentes, ao mesmo tempo, o que já acarretou mortes pelas quais ninguém quis responsabilizar-se. Uma cobaia do LAB, furtivamente me dá o endereço de outro laboratório, o Bio-Design, em Freiburg. (...) Trata-se de uma substância chamada mesperinon, antagonista do aldosteron. É um mineral corticóide que influi no sistema hormonal. Já está sendo comercializado um produto desse tipo pertencente ao grupo dos espironolactons. Sabe-se que o uso prolongado dessa substância provoca uma espécie de... digamos... efeminação, ou seja, um desenvolvimento de seios nos homens. Mas isso não acontece com um uso terapêutico de duas semanas. - E isso é seguro? - pergunto. - É o que esperamos. Mas esse é exatamente o objetivo do teste. Nunca se tem certeza com essas coisas - responde a moça.
- E se acontece, depois some?
- Claro - diz ela, tranquilizando-me. - Tudo volta para o seu devido lugar.
É evidente que está mentindo. Uma ginecomastia - nome correto na linguagem médica para a formação de seios nos homens - só é removida por cirurgia Pelo menos essa é a opinião unânime dos especialistas. (...) Felizmente posso me reservar o direito de recusar tal proposta tentadora e a soma oferecida pela Bio-Design. Outros, contudo, não podem fazer o mesmo. Firmas como a LAB e a Bio-Design lucram com a crise econômica, que obriga mais e mais pessoas a procurá-las. (...) Pude sentir na pele os efeitos colaterais que, segundo me diziam, aparecem muito "raramente". Ao regressar dessa viagem pelos laboratórios farmacêuticos, minha gengiva inferior começou a inchar e supurar. O dentista diagnosticou "gengivite" e, presumindo corretamente, perguntou-me: "O senhor tem tomado algum remédio à base de fenitoína?" Respondi que sim, e ele, relacionando o efeito colateral com minha suposta doença, perguntou de imediato: "O senhor é apilético?"


Cabeça de Turco - uma viagem nos porões da sociedade alemã
Günther Wallraff - Editora Globo, 1985

Mortes e sequelas em testes de vacinas


Adoro a Wikileaks... mostrando a sujeira varrida para baixo do tapete dos "donos do mundo"...


Wikileaks: multinacional farmacêutica conspirou para evitar julgamento na Nigéria
10/12/2010

A multinacional farmacêutica Pfizer negociou em abril de 2009 com o governo da Nigéria um acordo para evitar ser processada pela morte de 11 crianças e pelas sequelas provocadas em dezenas de outras, após testar um medicamento chamado Trovan, usado no tratamento da meningite. O fato foi revelado por um documento vazado pelo Wikileaks nesta quinta-feira (09/12).

Em 1996, cerca de 200 famílias de Kano, estado no norte da Nigéria, garantiram que seus filhos receberam o medicamento de forma experimental e, após a morte de 11 crianças, a companhia norte-americana pagou indenizações aos pais das vítimas para evitar um julgamento.

Despachos da Embaixada dos Estados Unidos em Abuja revelaram como a Pfizer conquistou esse acordo, usando detetives para coletar provas contra membro do judiciário nigeriano e publicá-las na imprensa. De acordo com os documentos, o plano deu certo e o procurador-geral do país, Michael Aondoakaa, acusado de corrupção, abandonou o caso.

Pfizer indeniza famílias nigerianas por mortes e sequelas em testes de vacina
11/08/2011

A multinacional farmacêutica Pfizer pagou 175 mil dólares a cada uma das primeiras quatro famílias afetadas por um teste realizado com uma vacina para meningite em um acampamento em Kano, na Nigéria, em 1996. A experiência do laboratório deixou 11 crianças mortas e cerca de cem delas tiveram sua saúde de alguma forma afetada.

Essa indenização faz parte de um acordo extrajudicial firmado em 2009 entre a Pfizer e o governo de Kano, na região norte do país, depois de dois anos de análise do material genético das vítimas. Além do dinheiro, a empresa se comprometeu a patrocinar projetos para desenvolvimento da saúde em Kano e a criar um fundo de 35 milhões de dólares para compensar os afetados.

Além de testar medicamentos em animais, também estão testando em seres humanos... quem quer ser cobaia? Observem que o fato aconteceu na África, similar à situação abordada em O Jardineiro Fiel - aliás, filme imperdível!


Fonte das informações:

Pfizer conspirou para evitar julgamento

Pfizer indeniza famílias por danos com testes



segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Incentivando a amamentação natural


Lançada nos Estados Unidos recentemente, uma boneca que incentiva a amamentação causa polêmica: alguns acham que ela despertaria a sexualidade precoce nas meninas, mas penso que coisas como a dança do tchan e outras imagens fazem isso com mais afinco! Segundo Dennis Lewis, representante da marca Berjuan, que fabrica o Breast Milk Baby, o produto permite que as meninas brinquem de cuidar do bebê de forma natural, em vez de usar mamadeira, como em outros brinquedos do tipo.

"As meninas podem aprender mais uma forma de cuidar de um bebê, assim como se estivessem trocando, dando banho ou ninando", disse Lewis em comunicado.

Se querem tanto divulgar a amamentação natural porque ensinar as meninas a alimentar seus bebês com mamadeiras?

A discussão sobre a boneca parou no programa do apresentador de TV Bill O'Reilly, do canal de notícias Fox News, de grande audiência nos Estados Unidos.

O'Reilly afirmou que a boneca não é apropriada. "Só quero que as crianças sejam crianças", disse ele, enquanto um convidado do programa dizia que o brinquedo o deixava "horrorizado".

A fabricante da boneca respondeu dizendo que o canal de TV apoia grandes empresas que querem que os bebês se alimentem com fórmulas infantis, "ainda que a ciência já tenha demonstrado os benefícios do leite materno". Disse ainda que a boneca é feita para ensinar às meninas que a maneira mais natural de alimentar um bebê é a amamentação.

Visitem The Breast Milk Baby para quem conhecer mais detalhes e/ou comprar a boneca:

sábado, 6 de agosto de 2011

Vovó Faz 100 Anos

Minha avó está completando, hoje, 100 anos de vida!


Raras são as pessoas que estão chegando a essa idade, o mundo tornou-se um lugar insalubre para viver, são tantas as agressões que a maioria das pessoas tem doenças graves e crônicas e não resiste. Talvez alguns digam que, pelo contrário, atualmente as pessoas vivem mais, mas retruco: com qualidade de vida? Cumprir uma rotina de hospitais, médicos, exames invasivos, dezenas de remédios, não me parece que tenha alguma relação com Vida...

Mas, minha avó é uma pessoa saudável e alegre, um tanto desmemoriada quanto ao presente, mas as histórias que conta do passado são interessantes. Leonina, vaidosa, foi uma artista. Na juventude, quando seu pai tinha um cinema no interior, ela animava os filmes mudos, tocando piano. Ela ainda toca, canta e recita poemas inteirinhos, com o estilo dramático que declamavam antigamente. Festeira, adora dançar e teve um namorado há poucos anos atrás, só não casou pela terceita vez porque foi impedida!
Teve muitos filhos, o que lhe proporcionou fartura de netos, bisnetos e tataranetos. Um destes filhos, nasceu com síndrome de Down, numa época em que crianças com esse diferencial eram escondidas e não tinham possibilidades de aprendizado. Ella nunca teve vergonha e desfilava com ele, faceira, orgulhando-se da sua cria.

Mora numa cidade distante, por isso hoje não pude estar ao seu lado nesse dia importante, impossibilitada de viajar.
Porém estou me sentindo muito próxima a seu sorriso contagiante, seus olhos azuis brilhantes, sua figura ainda esbelta e navegando nas lembranças que guardo dos momentos que passamos juntas. Uma das melhores é sobre a época em que ela morou numa ilha, onde ficava a estação retransmissora da Rádio da Universidade; meu avô era o responsável pela manutenção e eles residiam numa casa enorme, para onde íamos todos os fins de semana, atravessando o rio (agora lago) Guaíba numa velha lancha. Foi lá que quase me afoguei, que comi muito macarrão caseiro, que andava de pés descalços na lama, que brincava de tocar partituras no piano, que comecei a ler escondida os lívros espíritas (a família era rigidamente católica, mas ela ousou casar, pela segunda vez, com um homem que praticava "essa religião esquisita"...). Ficou viúva do primeiro marido ainda jovem, tinha menos de 30 anos e trabalhou muito para manter a filharada.

Gostaria de vê-la apagar 100 velinhas num bolo! Sinto respeito e amor pelas raízes que ela simboliza, que me estabilizam e apóiam, de ser descendente dessa italiana forte e bem-humorada, Marina Notari Noronha - beijos e abraços, vó!


As fotos são recentes, tiradas há dois anos - elas estava linda, toda de branco, declamou poesias que aprendeu na infância e depois, tocou uma série de tangos ao piano.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A indústria farmacêutica

Bisfenol A - você sabe o que é isso?


França - O parlamento francês voltou a debater o bisfenol A no país. Esta semana um relatório do senador Gilbert Barbier publica a proposta de rotular produtos que contenham desreguladores endócrinos em sua composição. O objetivo é informar melhor os consumidores e preservar mulheres grávidas e bebês, os mais vulneráveis aos químicos encontrados em embalagens de alimentos e mamadeiras feitas de plástico.

O bisfenol A é usado na fabricação do plástico e no revestimento interno de latas de bebidas e de alimentos. Segundo pesquisas, pode provocar puberdade precoce, câncer, alterações no sistema reprodutivo e no desenvolvimento hormonal, infertilidade, aborto e obesidade. Por conta disso, já foi proibido na União Europeia, no Canadá, na China, na Malásia e na Costa Rica. Onze estados americanos também já vetaram o BPA em mamadeiras e copos infantis.

Segundo Barbier, é importante proteger as mulheres e os bebês das ameaças dos químicos desde o início da gestação. “Reduzir a exposição pré-natal, ou seja, o bebê e sua mãe desde a concepção até os primeiros anos de vida, deve tornar-se um objetivo”, disse o autor da proposta. Para ele, em certos momentos, como durante a gravidez, “não é a dose que faz o veneno, mas o momento da exposição.”

O relatório destaca que desreguladores endócrinos não satisfazem a relação linear entre a quantidade e a nocividade do produto. Doses muito baixas podem causar efeitos significativos (ou vice-versa). As ações podem ser acumulativas ou potencializadas por outros químicos. Uma vez que muitas incertezas permanecem sobre os mecanismos de ação, o senador Gilbert Barbier também defende a necessidade da realização de mais pesquisas.

E no Brasil?

No Brasil, a proibição do químico está em discussão no Congresso. Em junho, Piracicaba se tornou a primeira cidade brasileira a proibir o bisfenol A, faltando apenas a sanção do prefeito para a lei entrar em vigor. Duas outras cidades, Americana e Sorocaba, também protocolaram projeto de lei semelhante.

Em abril, a Justiça determinou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que regulamentasse em 40 dias a inclusão de um alerta sobre a presença da substância nas embalagens dos produtos. A agência conseguiu prorrogar o prazo até agosto e está recorrendo da decisão. O relator do recurso acolheu o pedido da Anvisa de suspensão da liminar. Caberá ao juiz julgar a questão pelo mérito, ou seja, definindo a procedência ou não do pedido do Procurador Geral dos Disreitos do Consumidor do Estado de São Paulo, Jefferson Dias, após a produção de provas no processo.

A Anvisa defende a ideia de que já está estabelecido um limite de migração seguro e que a proibição do BPA em outros países foi só para produtos infantis.

Fonte: Francesoir – 15/07/2011