Monday, March 23, 2009

A "volta" da tuberculose


Trechos de matéria veiculada no Correio do Povo de hoje:

"A tuberculose não é uma doença de pobre como muita gente diz. (...) Qualquer pessoa pode pegar. É fato que em Porto Alegre ela está mais presente em bairros carentes por questões comportamentais que deixam os moradores mais vulneráveis, como alimentação inadequada (que promove a baixa imunidade), casas mal ventiladas e concentração de muitas pessoas em espaços pequenos", explicou a coordenadora do programa de controle da doença, Vania Micheletti.

Um problema que contribui muito para a proliferação é a falta de higiene."

Correio do Povo - 23/03/09 - página 8

Observei algumas contradições nesse texto:

"A tuberculose não é uma doença de pobre como muita gente diz."

Creio que o que querem dizer é que ela prolifera-se em meio ambiente em que vivem pessoas pobres/carentes, ou seja, aquelas que comem mal, vivem na sujeira, em casas apertadas com excesso de moradores e sem ventilação.
Então se a pobreza não existisse e pessoas vivendo nela, o bacilo da tuberculose não encontraria ambiente e veículos para a proliferação.

(...)"ela está mais presente em bairros carentes por questões comportamentais que deixam os moradores mais vulneráveis" (...)

Questões comportamentais? os moradores desses bairros pobres seguem os "comportamentos" citados por ser a única opção que lhes resta - a carência financeira é que os leva a tais "comportamentos"
Certamente gostariam de comer bem e viver em casas arejadas e amplas.

Então, chegamos mais uma vez ao cerne da questão das doenças que são combatidas com vacinas.
A raiz do problema não é atacada: má alimentação, falta de higiene, moradia de péssima qualidade, falta de educação.

Pegam as verbas governamentais e COMPRAM VACINAS!
NÃO INVESTEM em alimentação de qualidade, em habitação, em escolas, em prevenção da saúde... aliás, todos esses itens vitais estão decadentes em nosso País.
Esse modelo vacinista segue o modelo da medicina oficial: CURAR OS SINTOMAS E DEIXAR A CAUSA INTOCADA!



COMBATER A MISÉRIA OU A BACTÉRIA?
o que seria mais lógico: combater a miséria ou a bactéria que nela se aninha e prolifera?

equação:

miséria - ambiente própício para bactérias - doenças - vacinas

*************************

como modificar essa equação:

combater/erradicar sua base - A MISÉRIA!

mas o que observamos é uma ação semelhante à colocar um band-aid sobre um tumor...

Retomando:

Quem está dizendo que ela "voltou" são os índices do governo, que talvez esteja
querendo vender vacina estocada...
Quem é obrigado a vacinar são recém-nascidos que não tomam mais no hospital, têm que procurar um Posto de Saúde - sabe-se lá quantos fazem isso e acabam deixando de tomar essa vacina - então o governo "preocupado" que não estão mais vacinando como antes, instala (como sempre) o pânico da possibilidade das epidemias e o povo, assustado, corre pra vacinar...

artimanhas do sistema...

1 comment:

Débora Beyer said...

Vera,

Na verdade mesmo, vacinar não adianta nada contra tuberculose pulmonar, essa citada no texto.
A vacina BCG traz imunidade aos casos mais raros e complicados da doença como tuberculose cerebral, por exemplo.

Sou vacinada e me surpreendi ao ter o diagnóstico de tuberculose no ano passado. Só então é que fiquei sabendo que mesmo vacinada, posso pegar a TB pulmonar já que não há nenhuma proteção contra ela.

Realmente há um estigma com a doença. Senti o preconceito dos que me rodeavam e que queriam saber como consegui pegar o bacilo (as pessoas não se dão conta de que se pega por via aérea então, pode ser em qualquer lugar!)

Na verdade, o grande problema da tuberculose nas comunidades carentes é a falta de engajamento no tratamento que é demorado, são 6 meses.
Isso faz com que o bacilo se torne mais resistente e que a pessoa continue passando para todos com quem convive.

Via todo mês (pois o tratamento da tuberculose é feito em centros somente dedicados a isso e todos, sem excessão, devem visitar o centro pelo menos uma vez por mês, para revisão, coleta de exames e pegar medicamentos) a luta das agentes comunitárias indo atrás das pessoas, nas vilas carentes aqui de Viamão (eu, inclusive moro numa delas!) pedindo para que voltassem para o tratamento e mutas vezes, sem sucesso.

Conversando com elas, fiquei sabendo que há sim um aumento grande no número de casos de tuberculose principalmente pela falta de informação e pelo preconceito (acham que pode ser qualquer coisa, menos tuberculose).

Beijos!